Passar pela birra não é privilégio só de alguns pais. Se você não passou lhe garanto que ainda passará.

No primeiro momento em que você se depara com uma crise de birra você pensa: “Onde foi parar o bebê fofinho que estava aqui?”. Depois vem o sentimento de culpa, de frustração, de não saber o que fazer, de achar que o erro é seu. Mas fique tranquila a culpa não é sua, mas também não é da criança. As crianças não têm esses comportamentos para nos aborrecer, mas sim porque faz parte da sua conquista de autonomia.

Temos que sempre ter em mente que nós, os pais, somos os responsáveis por ensinar os nossos filhos o conceito do que é certo e do que é errado, do que pode e do que não pode fazer. Não podemos exigir dos nossos filhos um comportamento que ainda não ensinamos a eles. Não adianta dizer que não pode, sem mostrar o jeito que pode. Ensinamos muito mais fazendo do que simplesmente falando.

Algumas pesquisas dizem que a birra se inicia efetivamente entre 2 e 4 anos de idade, porém posso lhe garantir que ela começa muito antes.

Como as crianças não sabem lhe dar com os seus sentimentos, se utilizam dos “ataques de birra” como forma de expressar o que estão sentindo. Por exemplo, quando a criança quer subir em um lugar que lhe oferece riscos e a impedimos a primeira reação dela é chorar, se jogar, espernear, pois ela se sente frustrada por não conseguir fazer aquilo que queria.

A atitude dos pais determina muito como será o comportamento do filho diante de uma frustação. No exemplo acima, a nossa reação é de chegarmos de supetão tirar a criança de lá e dizer que não pode, mas se ao invés disso tentarmos (sei que é difícil) manter a calma, chegar perto da criança e dizer que ali é perigoso, pode machucar, pode ser que a birra seja minimizada, pois a criança entenderá os motivos pelos quais ela não pode fazer o que queria e a frustração será menor.

Para lhe dar com a birra é importante atentarmos para os sentimentos da criança e procurarmos entender (na medida do possível, porque não é fácil) o que a levou a ter aquele comportamento. Vale lembrar que antes dos 2 anos a criança não consegue se expressar corretamente, muitas vezes não consegue se fazer entender, por isso se utiliza do choro como forma de chamar a atenção dos pais.

A birra também pode acontecer porque a criança está cansada, não dormiu direito, passou da hora de comer, está em um lugar desconhecido, muito movimentado, barulhento, etc… Nesses casos precisamos redobrar a paciência e mostrar para a criança que entendemos o que ela está sentindo e que a ajudaremos na medida do possível. Por exemplo se a criança está chorando porque está com sono, devemos pegar ela no colo e dizer: “Eu sei que você está com sono, eu sei que está chorando porque quer dormir”. Quando a criança se sente segura e percebe que você entendeu o que ela estava tentando “dizer” ela tende a se acalmar.

Sei que há situações onde não podemos esperar que a criança se acalme, principalmente quando estamos fora de casa e precisamos controlar os nossos filhos imediatamente. Nesses casos vale tudo: distrair com algum brinquedo, sair do ambiente em que está, dar algum “lanchinho”, mostrar o avião, o cachorro… Enfim nessas situações o que devemos fazer é tirar o foco do que está causando aquele desconforto.

É claro que dependendo da idade da criança, pode ser que ela esteja testando os pais para descobrir até onde podem chegar sem serem repreendidos. Nesses casos é hora dos pais colocarem limites e mostrarem para a criança que não aceitam esse tipo de atitude. Mas isso é tema de um próximo post, já que esse é “Birra antes dos 2 anos”.

Enfim, não estamos livres, mas sabendo o que vem pela frente fica mais fácil de administrar.

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